PASSO A PASSO SOLDAS TERMOFUSAO TUBO PEAD - SANEFUSION MAQUINA
Por: Admin - 27 de Agosto de 2026
Solda em PEAD por Termofusão: Passo a Passo Rápido e Prático
A soldagem por termofusão de topo é um dos principais métodos utilizados para a união de tubos de PEAD em redes de água, esgoto, saneamento, mineração, indústria e obras de infraestrutura.
Quando executada corretamente, a termofusão cria uma união resistente e permanente entre os tubos. Porém, a qualidade da solda depende diretamente do controle de fatores como limpeza, alinhamento, temperatura, pressão, tempo de aquecimento e resfriamento.
Neste guia, apresentamos um passo a passo rápido e prático para a execução de soldas de topo em tubos PEAD.
Antes de começar
Antes de realizar qualquer solda, identifique corretamente a tubulação que será utilizada.
Confira:
-
Diâmetro externo – DE;
-
Material do tubo;
-
SDR;
-
Espessura da parede;
-
Classe de pressão – PN;
-
Fabricante;
-
Procedimento ou tabela de soldagem aplicável.
Essas informações são fundamentais para determinar corretamente os parâmetros da solda.
Nunca utilize pressão, temperatura ou tempos simplesmente com base no diâmetro do tubo.
Os parâmetros devem considerar o modelo da máquina, o SDR, o diâmetro da tubulação e as características do equipamento utilizado.
1. Verifique a máquina de termofusão
Antes de iniciar o trabalho, faça uma inspeção visual e funcional da máquina.
Confira:
-
Unidade hidráulica;
-
Mangueiras;
-
Conexões hidráulicas;
-
Manômetro;
-
Cilindros;
-
Mordentes;
-
Faceadora;
-
Facas da faceadora;
-
Placa de aquecimento;
-
Cabos elétricos;
-
Gerador ou alimentação elétrica.
A máquina deve estar funcionando corretamente e seus instrumentos de controle devem estar em boas condições de utilização.
2. Faça a limpeza inicial dos tubos
Antes de colocar os tubos na máquina, faça uma limpeza inicial das extremidades.
Retire:
-
Terra;
-
Barro;
-
Areia;
-
Pedras;
-
Óleo;
-
Graxa;
-
Água;
-
Outros contaminantes.
Esse cuidado é extremamente importante.
A faceadora não deve ser utilizada para limpar tubos cheios de barro ou terra.
Além de contaminar a região da futura solda, a sujeira pode danificar as facas, engrenagens e demais componentes da faceadora.
3. Posicione os tubos na máquina
Coloque os tubos nos mordentes da máquina de termofusão.
Deixe comprimento suficiente para permitir o faceamento adequado das duas extremidades.
Os tubos devem estar corretamente apoiados, preferencialmente utilizando roletes ou suportes.
Isso evita que todo o peso da tubulação seja transferido para a máquina de termofusão.
Em tubos de grandes diâmetros, esse cuidado é ainda mais importante.
4. Faça o pré-alinhamento
Antes do faceamento, aproxime os tubos e verifique o alinhamento inicial.
Observe se existe:
-
Desnível;
-
Ovalização;
-
Diferença significativa entre as extremidades;
-
Tubo excessivamente alto ou baixo em relação ao outro.
Faça os ajustes necessários nos mordentes antes de continuar.
5. Determine os parâmetros de soldagem
Antes de iniciar efetivamente a solda, tenha em mãos quatro informações fundamentais:
1. Modelo da máquina de solda
Cada máquina possui características próprias, principalmente em relação à área dos cilindros hidráulicos.
Por isso:
Não utilize tabelas de soldagem de outras máquinas.
Os valores de pressão podem ser diferentes mesmo quando o tubo, o diâmetro e o SDR são os mesmos.
2. SDR da tubulação
O SDR está diretamente relacionado à espessura da parede do tubo e influencia os parâmetros de soldagem.
3. Diâmetro da tubulação
Identifique corretamente o diâmetro externo – DE – do tubo que será soldado.
4. Pressão de arraste da tubulação
Esse valor deve ser determinado no próprio local da soldagem.
Com essas informações, será possível determinar:
-
Pressão de soldagem – bar;
-
Tempo de aquecimento – T2;
-
Tempo de troca – T3;
-
Tempo de resfriamento – T5;
-
Demais parâmetros previstos no procedimento.
Nos equipamentos SANEFUSION, esses parâmetros podem ser obtidos pelo aplicativo correspondente ao equipamento.
Para outras máquinas, utilize sempre a tabela de soldagem específica do fabricante e do modelo utilizado.
6. Determine a pressão de arraste
Todo tubo possui peso, e esse peso varia conforme fatores como:
-
Diâmetro;
-
SDR;
-
Espessura da parede;
-
Comprimento da barra;
-
Quantidade de tubos conectados;
-
Condições do terreno;
-
Apoio e posicionamento da tubulação.
Por isso, sempre que a tubulação for posicionada na máquina, deve-se determinar a pressão de arraste.
O que é pressão de arraste?
É a pressão necessária para que a máquina consiga vencer a inércia e começar a movimentar a tubulação para frente e para trás.
Esse valor não é fixo.
Ele depende diretamente das condições encontradas no momento da soldagem.
Exemplos práticos
Um tubo DE 160 mm, SDR 11, com barra de 6 metros, pode apresentar, em determinada condição de trabalho, uma pressão de arraste próxima de:
5 bar
Já um tubo DE 355 mm, SDR 11, com barra de 12 metros, pode apresentar, em determinada situação:
15 bar
Esses valores são apenas exemplos, pois a pressão real deve ser determinada em campo.
A pressão de arraste deve ser somada à pressão de soldagem
Exemplo:
Pressão indicada na tabela:
20 bar
Pressão de arraste medida:
5 bar
Portanto:
20 bar + 5 bar = 25 bar
Nesse exemplo, a pressão que deverá ser indicada no equipamento durante a etapa correspondente será:
25 bar
Nunca despreze a pressão de arraste.
7. Faça o faceamento
Instale a faceadora entre as duas extremidades dos tubos.
Acione o equipamento e aproxime os tubos contra as facas conforme a orientação da máquina.
Durante o faceamento, evite utilizar pressão excessiva. Como referência operacional deste procedimento, mantenha a pressão em até 25 bar.
O objetivo é criar duas superfícies:
Planas, paralelas, limpas e compatíveis entre si.
Durante o processo, devem ser produzidos cavacos de PEAD de maneira uniforme.
Quando as duas faces estiverem corretamente preparadas:
-
Afaste os tubos;
-
Desligue a faceadora;
-
Retire a faceadora;
-
Remova cuidadosamente os cavacos soltos.
8. Confira o alinhamento
Depois do faceamento, feche os tubos um contra o outro.
Observe toda a circunferência.
As duas extremidades devem apresentar bom contato e alinhamento.
Verifique principalmente:
-
Desalinhamento entre as paredes;
-
Ovalização;
-
Folgas;
-
Falta de contato;
-
Degrau excessivo entre os tubos.
Se for necessário realizar uma correção significativa no posicionamento dos tubos, ajuste os mordentes e verifique novamente a necessidade de refazer o faceamento.
9. Faça a limpeza após o faceamento
Depois do faceamento, realize a limpeza das superfícies de soldagem conforme o procedimento adotado, utilizando álcool isopropílico ou álcool com grau de pureza superior a 90%.
Após essa etapa, as extremidades devem ser consideradas superfícies preparadas para soldagem.
Não encoste:
-
Mãos;
-
Luvas sujas;
-
Panos contaminados;
-
Ferramentas;
-
Terra;
-
Óleo;
-
Graxa;
-
Outros materiais
nas superfícies preparadas.
Caso ocorra contaminação, repita o procedimento de limpeza antes de continuar.
10. Confira a placa de aquecimento
Antes de iniciar o aquecimento, verifique a placa.
Ela deve estar:
-
Limpa;
-
Sem resíduos de PEAD;
-
Sem material queimado;
-
Com o revestimento em boas condições;
-
Com a temperatura estabilizada.
Como referência deste procedimento:
Temperatura da placa: aproximadamente 220 °C
Sempre que possível, confira a temperatura real da superfície da placa utilizando instrumento adequado.
Não confie apenas no indicador da máquina.
Fatores externos como vento, temperatura ambiente e condições de trabalho podem interferir na temperatura da superfície.
Utilize sempre a temperatura determinada pelo procedimento ou tabela de soldagem correspondente ao equipamento.
11. Posicione a placa entre os tubos
Com a temperatura estabilizada, coloque a placa de aquecimento entre as duas extremidades.
Evite tocar ou contaminar as superfícies.
Em seguida, aproxime os tubos contra a placa de aquecimento.
12. Forme o cordão inicial
Aplique a pressão de soldagem determinada pelo procedimento até começar a formação do cordão inicial de material fundido.
Como referência prática deste procedimento, o cordão inicial pode ficar em torno de:
2 a 3 mm
O cordão deve aparecer de maneira uniforme ao redor de toda a circunferência.
Essa etapa garante o contato adequado das duas superfícies com a placa.
A dimensão definitiva do cordão deve sempre seguir a tabela de soldagem correspondente ao tubo e ao equipamento utilizado.
13. Faça o aquecimento – T2
Depois da formação do cordão inicial, reduza a pressão conforme o procedimento utilizado.
Acione a válvula de alívio da máquina.
Inicia-se então o período de aquecimento.
Esse período é identificado como:
T2 – Tempo de aquecimento
Durante o T2, as extremidades permanecem encostadas na placa para que o calor penetre adequadamente na parede do tubo.
O tempo de aquecimento varia principalmente conforme:
-
Espessura da parede;
-
SDR;
-
Diâmetro;
-
Procedimento utilizado;
-
Condições de execução.
Não improvise o tempo de aquecimento.
Consulte a tabela específica da máquina.
Nos equipamentos SANEFUSION, siga os parâmetros apresentados pelo aplicativo correspondente ao equipamento.
14. Retire a placa – T3
Finalizado o tempo de aquecimento:
-
Abra os tubos;
-
Retire imediatamente a placa;
-
Não toque nas superfícies fundidas;
-
Aproxime novamente os tubos.
Esse intervalo é conhecido como:
T3 – Tempo de troca
Como referência prática deste procedimento, esse intervalo pode ficar entre:
4 e 8 segundos
O processo precisa ser rápido e controlado.
Se houver demora excessiva, as superfícies poderão perder temperatura, comprometendo a qualidade da união.
O valor correto deve seguir a tabela correspondente ao diâmetro, SDR e procedimento utilizado.
15. Una as duas extremidades
Depois de retirar a placa, aproxime imediatamente as duas extremidades.
A pressão deve subir de maneira controlada até atingir o valor determinado para a soldagem.
Não bata os tubos violentamente um contra o outro.
A união deve acontecer de maneira progressiva e controlada.
Nesse momento será formado o cordão externo característico da solda por termofusão de topo.
16. Mantenha a pressão durante o resfriamento – T5
Depois da união, mantenha os tubos presos na máquina.
Não retire imediatamente.
A junta deve permanecer imóvel durante todo o período de resfriamento.
Esse período é identificado como:
T5 – Tempo de resfriamento
Durante o T5:
-
Não movimente os tubos;
-
Não retire os tubos dos mordentes;
-
Não aplique esforços sobre a junta;
-
Não puxe a tubulação;
-
Não jogue água para acelerar o resfriamento.
A solda deve resfriar naturalmente durante o período determinado pelo procedimento.
17. Libere a solda
Somente depois de cumprido o tempo mínimo de resfriamento, alivie a pressão e libere a tubulação dos mordentes.
Evite aplicar imediatamente grandes esforços sobre a junta recém-soldada.
Esse cuidado é especialmente importante em:
-
Operações de HDD;
-
Lançamento de tubulações;
-
Movimentação de grandes colunas;
-
Arraste de tubos;
-
Instalações de grandes diâmetros.
18. Inspecione o cordão da solda
Faça uma inspeção visual completa da junta.
Observe o cordão em toda a circunferência.
Verifique:
-
Uniformidade;
-
Continuidade;
-
Simetria;
-
Desalinhamento;
-
Falhas;
-
Contaminação;
-
Material queimado;
-
Interrupções;
-
Deformações fora do padrão.
O cordão é um dos principais indicadores visuais da qualidade do processo.
Entretanto:
Uma solda visualmente bonita não substitui o cumprimento correto dos parâmetros de soldagem.
19. Identifique e registre cada solda
Principalmente em obras de saneamento e infraestrutura, a rastreabilidade das soldas é fundamental.
Sempre que possível, registre:
-
Número da solda;
-
Data;
-
Horário;
-
Obra;
-
Trecho;
-
Nome do operador;
-
Máquina utilizada;
-
Diâmetro do tubo;
-
SDR;
-
Espessura;
-
Material;
-
Fabricante;
-
Lote do tubo;
-
Temperatura da placa;
-
Pressão de arraste;
-
Pressão utilizada;
-
Tempo de aquecimento – T2;
-
Tempo de troca – T3;
-
Tempo de resfriamento – T5;
-
Resultado da inspeção.
Máquinas automáticas ou equipamentos equipados com datalogger podem facilitar e melhorar esse controle.
Os 6 pontos fundamentais da termofusão
Para facilitar o treinamento das equipes de campo, todo o processo pode ser resumido em seis pontos:
LIMPEZA → FACEAMENTO → ALINHAMENTO → TEMPERATURA → PRESSÃO E TEMPO → RESFRIAMENTO
Se um desses fatores estiver incorreto, a qualidade da solda poderá ser comprometida.
Errou a solda? Não tente corrigir
Uma regra importante para trabalhos com PEAD:
ERROU? CORTE E FAÇA NOVAMENTE.
Uma solda de topo não deve ser corrigida simplesmente colocando novamente a placa entre extremidades que já passaram pelo processo de fusão.
Se ocorrer:
-
Contaminação;
-
Erro no tempo;
-
Temperatura inadequada;
-
Falta de pressão;
-
Desalinhamento;
-
Movimentação durante o resfriamento;
-
Interrupção do processo;
a junta deve ser avaliada conforme o procedimento de qualidade adotado e, quando rejeitada, deverá ser removida e refeita corretamente.
Por que não existe uma pressão única para cada diâmetro?
Esse é um erro bastante comum em obras.
Imagine duas máquinas diferentes soldando exatamente o mesmo tubo PEAD DE 500.
Elas podem apresentar valores diferentes no manômetro e, mesmo assim, aplicar a mesma força necessária sobre as extremidades.
Isso acontece porque a pressão hidráulica necessária depende também das características dos cilindros da máquina.
De forma simplificada:
Área da face do tubo × pressão específica = força necessária para a soldagem
Depois:
Força necessária ÷ área efetiva dos cilindros = pressão hidráulica da máquina
Além disso, ainda precisamos considerar:
+ PRESSÃO DE ARRASTE
Por esse motivo, uma tabela de soldagem deve estar relacionada à máquina utilizada.
Não utilize a tabela de uma máquina diferente apenas porque o diâmetro do tubo é o mesmo.
Checklist rápido antes de iniciar a solda
Antes de colocar a placa entre os tubos, confira:
✓ O tubo está corretamente identificado?
✓ O SDR está correto?
✓ Estou utilizando a tabela da máquina correta?
✓ A máquina está funcionando corretamente?
✓ As extremidades estão limpas?
✓ O faceamento ficou uniforme?
✓ Os tubos estão alinhados?
✓ A pressão de arraste foi determinada?
✓ A placa está limpa?
✓ A temperatura está correta?
✓ Sei qual é a pressão de soldagem?
✓ Sei qual é o T2?
✓ Sei qual é o T3?
✓ Sei qual é o T5?
Se todas as respostas forem positivas, o processo está preparado para avançar.
Resumo rápido da solda por termofusão
1. IDENTIFIQUE O TUBO
DE + SDR + espessura.
↓
2. IDENTIFIQUE A MÁQUINA
Utilize a tabela correta.
↓
3. POSICIONE E ALINHE
Apoie corretamente os tubos.
↓
4. DETERMINE O ARRASTE
Descubra a pressão necessária para movimentar a tubulação.
↓
5. FACEIE
Crie superfícies planas e paralelas.
↓
6. CONFIRA O ALINHAMENTO
Observe toda a circunferência.
↓
7. LIMPE
Não contamine as superfícies preparadas.
↓
8. CONFIRA A PLACA
Limpeza + temperatura.
↓
9. FORME O CORDÃO
Aplique a pressão indicada.
↓
10. AQUEÇA – T2
Cumpra o tempo determinado.
↓
11. RETIRE A PLACA – T3
Faça a troca rapidamente.
↓
12. UNA OS TUBOS
Aplique progressivamente a pressão de soldagem.
↓
13. RESFRIE – T5
Não movimente a junta.
↓
14. INSPECIONE
Confira o cordão em toda a circunferência.
↓
15. REGISTRE
Garanta a rastreabilidade da solda.
Conclusão
Uma boa solda de PEAD não depende apenas de colocar dois tubos contra uma placa quente.
Termofusão é controle de processo.
O operador precisa controlar:
Preparação → Limpeza → Alinhamento → Temperatura → Pressão → Tempo → Resfriamento
Quando todas essas etapas são executadas corretamente, a termofusão permite construir redes contínuas, resistentes e confiáveis, sendo uma das tecnologias mais importantes para sistemas modernos de saneamento e infraestrutura urbana.